A China nunca esteve tão perto do brasileiro: sem visto, com trem-bala e cidades que parecem ter saltado algumas décadas. Mas ela não perdoa quem chega despreparado. Visto, época, roteiro, pagamento e internet, no guia que eu uso antes de embarcar.
Por que a China, e por que agora
Querido viajante,
Durante muito tempo, a China foi o destino que o brasileiro admirava de longe. O visto dava trabalho, a língua assustava, e a imagem do país era feita de manchetes, não de viagens. Isso mudou rápido.
Em 2025, a China registrou 30,08 milhões de entradas de estrangeiros sem visto, 49,5% a mais que no ano anterior. O Brasil entrou nessa lista em junho de 2025, e a isenção foi estendida até o fim de 2026. A viagem que antes começava com semanas de consulado agora começa com a passagem.
O que não ficou mais simples é o resto. A China é o país mais digital que eu já visitei. Quase ninguém usa dinheiro vivo, quase nada funciona sem celular, e os aplicativos de que dependemos no Brasil simplesmente não abrem. Quem chega sem se preparar passa o primeiro dia tentando pagar um café. Quem chega preparado descobre um país eficiente, seguro e muito mais surpreendente do que as fotos da Cidade Proibida sugerem.
Quantos dias e qual roteiro escolher
A China tem o tamanho de um continente, e o erro mais comum é tentar ver tudo de uma vez. O melhor roteiro escolhe um recorte e o faz bem. Estes são os quatro que eu mais recomendo.
1. China clássica — de 12 a 15 dias. Pequim, Xi'an, Shanghai e Hangzhou ou Suzhou. É o roteiro da primeira viagem: a Muralha, a Cidade Proibida, os Guerreiros de Terracota e o skyline de Xangai, ligados por trem-bala.
2. Clássica com natureza — de 18 a 21 dias. O roteiro clássico, mais Guilin e Yangshuo ou Zhangjiajie. Para quem quer navegar o rio Li entre montanhas de calcário ou caminhar entre os pilares de pedra que inspiraram Avatar.
3. China contemporânea — de 12 a 14 dias. Xangai, Chongqing, Chengdu e Shenzhen. Para quem quer entender a China de agora: arquitetura, tecnologia, a cozinha apimentada de Sichuan e os pandas de Chengdu.
4. Yunnan e cultura tibetana — de 10 a 12 dias. Kunming, Dali, Lijiang e Shangri-La. Ideal para a segunda viagem, ou para quem busca espiritualidade, vilarejos e paisagem de montanha.
Para a primeira vez, eu recomendo o clássico com pelo menos uma parada fora do óbvio.
Chongqing, por exemplo, é a cidade que mais surpreende: prédios empilhados nas montanhas, teleférico sobre o rio Yangtzé e um monotrilho que atravessa um edifício residencial. Ninguém volta de lá achando que já tinha visto aquilo em algum lugar.
Melhor época para ir à China •
• *Primavera (março a maio)*: uma das melhores janelas, com temperaturas amenas e jardins floridos em Hangzhou e Suzhou. Evite o feriado de 1º de maio.
• *Verão (junho a agosto)*: calor úmido e chuvas no leste e no sul. Melhor época para as regiões altas do oeste, como Yunnan.
• *Outono (setembro a novembro)*: a melhor janela para o roteiro clássico, com céu mais limpo em Pequim e folhagem colorida na Muralha. Evite de 1 a 7 de outubro.
• *Inverno (dezembro a fevereiro)*: frio abaixo de zero em Pequim e o festival de gelo de Harbin. Menos turistas, exceto no Ano-Novo Chinês.
A Golden Week merece um aviso à parte. É o feriado nacional de 1 a 7 de outubro, quando centenas de milhões de chineses viajam ao mesmo tempo. Trens esgotam, hotéis cobram o preço máximo, e a Muralha vira fila. Chegar poucos dias depois garante a mesma estação com outra experiência.
Como se preparar: o que eu faço antes de embarcar
1. Configuro o Alipay ainda no Brasil. Cadastro o passaporte, vinculo o cartão de crédito e faço a verificação de identidade em casa. O emissor do cartão cobra a taxa internacional de costume.
2. Resolvo a internet antes do voo. Roaming internacional ou eSIM de operadora estrangeira funcionam fora do bloqueio, e o WhatsApp continua aberto. Chip local, não.
3. Baixo mapas e tradutor offline. O Google Maps é impreciso na China. Os aplicativos locais funcionam melhor, e o tradutor com câmera resolve cardápio, placa e farmácia.
4. Compro os trens com antecedência. As passagens de trem-bala são nominais, vinculadas ao passaporte, e esgotam em feriados.
5. Confiro se o hotel recebe estrangeiros. Nem todo hotel na China está autorizado a hospedar estrangeiros, e isso raramente aparece no site de reservas.
Minha próxima China
Em 8 de outubro, embarco com um grupo de clientes no roteiro Entre Dragões e Lótus: Pequim, Xi'an, Chongqing, Hangzhou e Xangai, logo depois da Golden Week. Na volta, conto aqui o que funcionou, o que eu mudaria e o que só se aprende estando lá.
Se você está pensando na China para 2027, vale acompanhar.
Até a volta,
Michelle Nedelciu - Diretora da Raidho Viagens
Perguntas frequentes
- Brasileiro precisa de visto para a China? Não, para viagens de até 30 dias a turismo, negócios ou visita a familiares, com passaporte comum válido. A isenção vale até 31 de dezembro de 2026. Para 2027, é preciso acompanhar a decisão do governo chinês.
- Qual a melhor época para viajar para a China? Abril–maio e setembro–outubro, com temperaturas amenas na maior parte do país. Evite a Golden Week (1 a 7 de outubro) e o Ano-Novo Chinês, quando o país inteiro viaja.
- Quantos dias são suficientes para conhecer a China? De 12 a 15 dias para a primeira viagem, cobrindo Pequim, Xi'an e Xangai. Para incluir Guilin ou Zhangjiajie, conte de 18 a 21 dias.
- WhatsApp funciona na China? Não na rede local: WhatsApp, Google e Instagram são bloqueados em Wi-Fi e chips chineses. Com roaming da operadora brasileira ou eSIM internacional, funcionam normalmente.
- Como pagar na China sendo estrangeiro? Pelo Alipay ou WeChat Pay, vinculando um cartão Visa ou Mastercard. Dinheiro em espécie é aceito por lei, mas cada vez menos usado.
- A China é segura para turistas? Sim, a criminalidade contra turistas é baixa. O cuidado mais comum é com abordagens simpáticas em áreas turísticas que terminam em casas de chá com conta inflada.
- Quer viver a China que você acabou de ler?
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